Quando pensamos em esportes que promovem saúde e longevidade, é natural imaginar que atividades coletivas — como futebol, basquete ou vôlei — seriam as grandes campeãs, afinal, elas combinam exercício físico com interação social em grupo.
No entanto, a ciência tem revelado um cenário surpreendente: os esportes com raquete, especialmente o tênis, não apenas empatam com os coletivos, como os superam em diversos aspectos quando o assunto é ganho de saúde e expectativa de vida. E o mais interessante é que isso vale tanto para as partidas individuais quanto para as disputas em duplas.
O que a ciência diz sobre esportes coletivos e longevidade?
O estudo da GeroScience que chocou o mundo do esporte
Em agosto de 2024, a revista GeroScience publicou um estudo observacional que analisou dados de 95.210 atletas de 44 modalidades esportivas diferentes, espalhados por 183 países. Os pesquisadores, liderados por Abdullah Altulea e sua equipe, coletaram informações de atletas nascidos entre 1862 e 2002, calculando a diferença entre a idade de morte de cada um e a expectativa de vida da população de referência de seu país.
Os resultados foram reveladores. Entre os homens, a associação entre esportes coletivos populares e longevidade variou drasticamente.
Enquanto críquete, remo, beisebol, polo aquático, futebol australiano, hurling, lacrosse e hóquei de campo apresentaram uma associação positiva com o aumento da expectativa de vida, outros esportes coletivos tiveram resultados bem menos animadores.
Rúgbi, canoagem, caiaque, basquete, futebol americano e futebol (soccer) mostraram uma associação mínima com a longevidade. Já handebol e vôlei apresentaram uma associação negativa, ou seja, atletas dessas modalidades tendiam a viver menos do que a população em geral.
Para as mulheres, os dados foram ainda mais escassos, mas a tendência se manteve: nem todos os esportes coletivos são iguais quando o objetivo é prolongar a vida. O estudo deixou claro que a escolha da modalidade esportiva pode fazer uma diferença de quase uma década na expectativa de vida — para melhor ou para pior.
Para quem busca uma aula tênis BH e ainda está em dúvida sobre qual modalidade escolher, os números são claros: os esportes com raquete oferecem um retorno em longevidade que supera a maioria dos esportes coletivos tradicionais. Mas por que isso acontece? A resposta está na combinação única de fatores que o tênis proporciona.
Por que alguns esportes coletivos prejudicam a longevidade?
A pergunta que não quer calar é: por que esportes como vôlei e handebol aparecem com associação negativa com a longevidade? Os pesquisadores levantaram a hipótese de que a natureza do esforço físico e o impacto repetitivo sobre o corpo podem ser os principais vilões. Esportes que exigem saltos constantes, mudanças bruscas de direção e contato físico intenso podem gerar um desgaste articular e muscular que, ao longo de décadas, anula os benefícios do exercício.
Além disso, o estresse cardiovascular excessivo em algumas modalidades — especialmente aquelas com esforço contínuo e de alta intensidade — pode sobrecarregar o coração de forma crônica. O estudo da GeroScience sugere que esportes mistos, que alternam momentos de alta intensidade com pausas de recuperação, são os que oferecem os máximos benefícios para a longevidade. É exatamente nesse ponto que os esportes com raquete se destacam.
O tênis: o campeão silencioso da longevidade
Esportes com raquete superam os coletivos
Enquanto muitos esportes coletivos apresentaram associações mínimas ou negativas com a longevidade, os esportes com raquete — categoria que inclui tênis e badminton — exibiram uma associação consistente e positiva tanto para homens quanto para mulheres. O estudo da GeroScience mostrou que os esportes com raquete podem estender a vida em até 5,7 anos para homens (95% CI [5, 6.5]) e 2,8 anos para mulheres (95% CI [1.8, 3.9]).
Em primeiro lugar, o tênis é um esporte de intensidade intermitente. Uma partida típica alterna momentos de esforço máximo — como um sprint para buscar uma bola — com breves pausas de recuperação entre os pontos. Esse padrão, conhecido como treinamento intervalado, é extremamente eficiente para o condicionamento cardiovascular e para a queima calórica, superando em muitos casos o exercício contínuo e monótono.
Em segundo lugar, o tênis exige movimentos multidirecionais que recrutam praticamente todos os grupos musculares: pernas, glúteos, core, ombros e braços. Esse estímulo variado preserva a massa muscular e a densidade óssea, dois pilares para um envelhecimento saudável e independente.
O fator social que poucos esportes oferecem
Mas talvez o diferencial mais subestimado do tênis seja o componente social. Diferente de esportes como corrida ou musculação, que são predominantemente solitários, o tênis — mesmo nas partidas individuais — exige interação com um adversário. E nas partidas de duplas, a dinâmica social se intensifica ainda mais, com comunicação constante e trabalho em equipe.
O famoso Harvard Study of Adult Development, que acompanha centenas de pessoas há mais de 85 anos, comprovou que relações sociais próximas são o fator mais determinante para a felicidade e a saúde ao longo da vida. Pessoas mais conectadas socialmente são mais felizes, fisicamente mais saudáveis e vivem mais do que aquelas menos conectadas. O tênis proporciona exatamente esse ambiente de conexão humana — seja com o adversário, seja com o parceiro de quadra.
A Mayo Clinic, uma das instituições médicas mais respeitadas do mundo, também já se posicionou sobre o tema. O Dr. Ed Laskowski, codiretor de Medicina Esportiva da Mayo Clinic, afirmou que estudos mostram que pessoas que praticam esportes sociais, como tênis ou futebol, tendem a viver mais do que aquelas que participam de esportes individuais, como natação ou corrida. E, dentro dos esportes sociais, os esportes com raquete parecem estender a vida mais do que qualquer outra modalidade.
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